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Como evitar e controlar os Perigos do Ruído Ocupacional

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Desde há várias décadas que compreendemos os impactos do ruído na saúde e os danos a longo prazo na nossa audição. Mas poucas vezes ouvimos falar dos Perigos do Ruído Ocupacional. Existe no entanto uma exigência para os locais de trabalho reduzirem os níveis de ruído para menos de 85 decibéis, caso a atividade profissional ocorra durante um período de 8 horas.

Se tem como responsabilidade tratar da Higiene e Segurança no Trabalho não deve expor os seus empregados a um nível de ruído superior a 140 decibéis. No entanto, os danos auditivos estão relacionados com a intensidade do som, a natureza do som (seja contínuo ou intermitente) e a duração da exposição ao ruído.

Assim, uma exposição prolongada a ruído de baixo nível pode também criar perda auditiva permanente.

Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 182/2006 de 6 de setembro, regulamenta as prescrições mínimas de segurança e de saúde da exposição dos trabalhadores aos riscos devido ao ruído, sendo aplicável a todas as atividades dos setores privado, cooperativo e social, administração pública central, regional e local, institutos públicos e demais pessoas coletivas de direito público, além de trabalhadores por conta própria.

O decreto em causa define que nunca é permitida a exposição pessoal diária ou semanal de trabalhadores a níveis de ruído iguais ou superiores a 87 dB ou a valores de pico iguais ou superiores a 140 dB.

Estes valores acima definidos correspondem aos Valores Limite de Exposição (VLE) ao ruído, em cuja determinação se passa a considerar a atenuação dos protetores auditivos.

Quando um trabalhador utiliza um protetor auditivo conveniente a exposição nunca deverá ser igual ou superior ao nível sonoro contínuo equivalente (LEX,8h) de 87 dB ou a valores de pico (LCpico) iguais ou superiores a 140 dB.

No entanto devemos considerar que o Decreto-Lei 182/2006 de 6 de setembro substitui o até então denominado como nível de ação (NA) por 2 níveis distintos, designados como valores de ação inferiores e valores de ação superiores, respetivamente.

Este diploma legal define 3 níveis de intervenção:

Valores de ação inferiores: LEX,8h = 80 dB e LCpico = 135 dB;

Valores de ação superiores: LEX,8h = 85 dB e LCpico = 137 dB;

Valores limite de exposição: LEX,8h = 87 dB e LCpico = 140 dB;

Neste artigo fornecemos os conceitos-chave e conselhos para ajudar a gerir os perigos de ruído ocupacional no seu local de trabalho. Além de oferecermos uma compreensão básica da acústica e dos fatores que têm impacto na perda auditiva e na saúde, juntamente com os princípios da medição e controlo do ruído. Leia agora e se tiver dúvidas ou comentários não hesite em enviar para lermos.

Será que o ruído ocupacional danifica a audição?

A primeira indicação de que o ruído pode ser perigoso para a audição é quando uma pessoa tem de levantar a voz para falar com alguém que está apenas a 1 metro de distância num local de trabalho ruidoso.

Existe um teste simples que pode fazer para avaliar os efeitos da exposição ocupacional ao ruído e ao seu impacto na audição.

Conduzir para o trabalho e desligar o motor, mas não a ignição.

Ligar o rádio do carro reduzindo o volume para que possa simplesmente ouvi-lo.

Não desligar o rádio, mas desligar a ignição e ir para o trabalho.

Depois do trabalho, ligar a ignição. O rádio também deve acender.

Se não conseguir ouvir o rádio, ocorreu um desvio temporário da sua capacidade auditiva durante o dia de trabalho.

Esta mudança na sua capacidade auditiva pode durar de horas a dias após a exposição. Geralmente, a audição recupera durante a noite, dando uma falsa impressão de que está tudo bem. No entanto, os efeitos das exposições regulares são cumulativos, uma vez que as células capilares do seu ouvido interno são eventualmente destruídas.

Como fazer a medição do ruído?

A avaliação do ruído pode ser realizada por um sonómetro ou um dosímetro de ruído. Nos últimos anos, foram disponibilizados diferentes dispositivos para medição de ruído. Sendo que um medidor de dose de ruído é uma versão mais pequena do medidor de dose de ruído tradicional, sem cabo entre o medidor e o microfone, que podem interferir com o trabalho.

Um sonómetro é normalmente manual e por esse motivo o avaliador está presente à medida que as medições são feitas; logo tem a vantagem de observar em primeira mão o que está a ser medido. Um dosímetro de ruído é concebido para ser usado numa pessoa durante o período de tempo em que realiza o seu trabalho.

O que é stress relacionado com o ruído?

Os fatores de stress relacionados com o ruído incluem stress, irritabilidade, dores de cabeça, humor e insónia, perturbação das reações psicomotoras, perda de concentração, e interferência na fala.

Os efeitos relacionados com a saúde incluem produtividade reduzida, qualidade reduzida do trabalho ou do serviço, e aumento do absentismo. Todos os efeitos aqui descriminados afetam a produtividade no trabalho.

Como se pode controlar os perigos do ruído ocupacional?

Sempre que se identifiquem fontes de ruído, o passo seguinte é dar prioridade ao seu controlo, determinando o tempo de utilização de cada máquina ou equipamento durante um turno típico que o operador gasta a utilizá-los ou a trabalhar perto deles.

Por exemplo, uma máquina ou um equipamento com nível de ruído elevado, mas com uma utilização curta por turno, pode muito bem ter uma prioridade menor para a redução do ruído do que um equipamento com níveis de ruído mais baixo, embora com uma utilização longa por turno.

Por outro lado, uma fresadora que funcione durante 6 horas por dia a 88 dB aos ouvidos do operador, necessita de uma redução de ruído mais urgente do que uma broca que funcione durante 15 minutos por dia a 94 dB.

Como se pode eliminar ou minimizar os perigos do ruído ocupacional?

Em Portugal, a SST exige que os locais de trabalho sigam uma hierarquia de controlos.

Contudo estes não podem depender unicamente da utilização de protetores auriculares ou outras formas de equipamento de proteção pessoal onde seja razoável e praticável utilizar controlos de ordem superior. No entanto, a prestação de proteção auditiva é o método mais comum e utilizado pelas organizações para evitar a perda de audição.

O ruído laboral que exceda a norma de exposição deve, na medida do razoavelmente praticável, ser reduzido para níveis de exposição não perigosos, sempre que se elimine o perigo.

Uma forma de o fazer é deixar de realizar o trabalho que cria o ruído. Quando tal não for possível, deve-se substituir a atividade ou o processo, alterando os componentes ruidosos por outros mais silenciosos.

Por exemplo, em vez de martelar um pedaço de metal para o dobrar, o metal poderia ser aquecido e depois dobrado com um alicate ou uma prensa. Por outro lado o ruído no local de trabalho também pode ser minimizado através da conceção, substituindo instalações e equipamentos antigos por novas instalações e equipamentos mais silenciosos.

Como podem os Controlos de Engenharia de Ruído ajudar?

Os controlos de engenharia de ruído (uma das medidas de proteção coletiva utilizada com frequência neste cenário) modificam a fonte de ruído em si através de coberturas, que podem ser feitos de um material sólido e revestidos internamente com um revestimento absorvente de som.

Além disso podem ser adicionados silenciadores às fontes de ruído existentes ou colocar barreiras no caminho do ruído ou mesmo fechar a extremidade recetora, criando uma sala de controlo.

Regra geral, o controlo de engenharia de ruído é a forma mais eficaz de controlar o ruído, mas por vezes, pode ser proibitivo em termos de custos.

Deixamos aqui alguns exemplos práticos de controlo de engenharia de ruído:

– Montar fontes vibrantes dentro de máquinas em isoladores ou amortecedores.

– Substituir componentes metálicos por materiais mais silenciosos assim como plástico, nylon ou componentes compostos.

– Instalar compartimentos nos locais em torno de componentes de máquinas ruidosas específicas.

– Acrescentar de materiais absorventes de som.

– Instalar exaustores de ar e gás com silenciadores.

– Mudar para um tipo de ventilador mais silencioso ou alterar mesmo o passo da lâmina do ventilador ou o número de lâminas, ou ainda instalar atenuadores de som nas condutas de ventilação pode ser primordial.

Utilização de medidas de controlo administrativo

As medidas administrativas de controlo do ruído têm como objetivo reduzir a quantidade de ruído a que os empregados estão expostos através de métodos organizacionais.

Uma das formas de o fazer é delineando áreas de proteção auditiva, elaborar mapeamento do ruído para identificar áreas seguras e inseguras de ruído, reescalonando tarefas dos trabalhadores para limitar os tempos de exposição e otimizando a manutenção.

EPI: Proteção auditiva

Os protetores auditivos devem ser usados onde existam níveis de ruído perigosos no local de trabalho e que por sua vez não possam ser reduzidos por controlos de ordem superior. Existem 3 tipos de protetores auriculares:

– Tampões auriculares descartáveis ou moldados individualmente.

– Tampões do canal auditivo.

– Orelhas passivas ou ativas.

Os protetores auriculares passivos são do tipo convencional, por outro lado os protetores auriculares eletronicamente ativos, dependentes do nível de ruído, permitem a entrada de ruído até 82 dB no ouvido. Após este valor, um sistema eletrónico desliga a receção e atua como protetores auriculares passivos.

Assim como os protetores auriculares que provocam o ruído reduzem os sons de baixa frequência através da monitorização do ambiente sonoro fora do protetor auricular.

O nível ideal de ruído no ouvido sob o protetor auricular deve cair para valores entre 75 e 80 dB para reduzir o ruído no local de trabalho para níveis seguros, permitindo ao mesmo tempo a audição e a comunicação sem a tentação para os trabalhadores de remover o protetor auricular em ambientes ruidosos.

Os protetores auditivos controlam o ruído?

Muitas pessoas têm a conceção errada comum de que os protetores auriculares controlam o ruído. Estes equipamentos não controlam o ruído no local de trabalho, uma vez que o ruído no local de trabalho ainda existe, embora o uso do protetor auricular reduza o nível de ruído no ouvido. No entanto, a exposição não é reduzida pelo uso de protetores auriculares pessoais.

Quando uma organização necessita de fornecer proteção auditiva, deve ter em conta o seguinte:

– A seleção e gestão devem ser feitas por uma pessoa devidamente qualificada.

– Precisa de treinar os trabalhadores sobre como encaixarem e usarem corretamente os auriculares de proteção.

– Possuir existência de procedimentos no sentido de insistir para que os funcionários se adaptem aos protetores auditivos antes de entrarem na área de trabalho ruidosa.

– É necessário criar procedimentos para assegurar uma limpeza regular, manutenção e armazenamento seguro.

– Assim como também é necessário marcar as áreas onde é requerida proteção auditiva.

– Manter sempre a documentação apropriada.

– Por último deve ter em conta a necessidade de controlar regularmente a eficácia da utilização da proteção auditiva.

Conclusão

A Entidade Patronal tem o dever de proteger a audição dos seus funcionários. A perda auditiva a longo prazo é classificada como uma das doenças laborais mais comuns nos locais de trabalho em Portugal.

No nosso país a surdez profissional é de facto uma realidade, embora nem sempre seja fácil de diagnosticar.

Por todas as razões apontadas anteriormente, as empresas são encorajadas a utilizar a hierarquia de segurança dos controlos para eliminar os perigos de ruído, utilizando o nível de controlo mais elevado na medida do razoavelmente praticável.

Por outro lado quando tal não for possível, deve-se substituir a atividade ou o processo, alterando os componentes ruidosos por outros mais silenciosos. O ruído no local de trabalho também pode ser minimizado através da elaboração e substituição de instalações e equipamentos antigos por outros novos e mais silenciosos. Os controlos de ruído de engenharia modificam a própria fonte de ruído através de dispositivos silenciadores.

Do mesmo modo os controlos de ordem inferior, tais como medidas administrativas de controlo do ruído, delimitam áreas de proteção auditiva, identificam áreas seguras e inseguras de ruído, reprogramam as tarefas dos trabalhadores para limitar os tempos de exposição e otimizam a manutenção.

Por último, o protetor auditivo deve ser usado onde existam níveis de ruído perigosos no local de trabalho que não possam ser reduzidos por controlos de ordem mais elevada. No entanto, os protetores auriculares não controlam o ruído no local de trabalho, uma vez que este continua a existir, embora o uso do protetor auditivo reduza o nível de ruído no ouvido.

Os danos na audição e a exposição ao ruído não podem ser desfeitos ou reparados. Por conseguinte é imperativo que os seus funcionários usem sempre o protetor auditivo em áreas ruidosas e façam o que for praticável para reduzir os perigos de ruído ocupacional.

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