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Equipas de Saúde e 1ª intervenção são Grupos de Risco à exposição ao Fentanilo

A exposição ao Fentanilo resulta potencialmente numa grande variedade de sintomas incluindo o início rápido da depressão respiratória, que pode ameaçar a vida.

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A exposição ao Fentanilo e seus análogos, opioides sintéticos para uso médico, também consumidos como drogas de abuso misturados e cortando a cocaína e a heroína, dado o seu menor preço, constitui um sério risco de saúde para todos os indivíduos integrados em grupos de trabalho que nas suas atividades possam ser sujeitos a exposições.

O Fentanilo é 1.000 vezes mais potente que a morfina. O Carfentanilo, outro opioide sintético similar ao Fentanilo, é até 10.000 vezes mais potente que a morfina.

Estes opioides são prescritos no âmbito médico para tratamento da dor muito forte e de longa duração, associada ao cancro, ou são usados, conjuntamente com outros medicamentos, para anestesia, mas produzidos ilicitamente são usados como drogas de abuso.

Estas categorias profissionais, dadas as suas missões, classificam-se como especialmente vulneráveis à exposição a estas drogas ilícitas, no desempenho das suas atividades.

Enquanto drogas de abuso estão presentes, popularizadas e referenciadas no submundo em Portugal.

Um relatório da Drug Enforcement Agency nos EUA assinalou já que a prescrição de drogas como a morfina e o Fentanil constitui uma das maiores ameaças no âmbito das drogas e posteriormente, em Março de 2017, um relatório dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), reportava que em 2016 se verificaram nos EUA mais 42.000 mortes devido a sobredoses de opioides, valor que aumentou em cerca de 28% relativamente ao período transato.

Quem consome Fentanilo corre risco de vida

Recordamos que esta substância provocou a morte do famoso cantor Prince, assim como vários outros artistas do mundo da música e do cinema, revelando-se também bastante popular no Reino Unido, conforme um relatório publicado pelo Conselho Consultivo sobre o Uso Indevido de Drogas (ACMD) advertiu.

O relatório, que incluiu uma revisão da literatura dos efeitos do Fentanil, detalhes do uso indevido do composto e um resumo dos danos associados, constatou que as mortes relacionadas ao Fentanil naquele país subiram de oito em 2008 para 135 em 2017.

Assim, consideram-se inseridos em categorias de risco:

1 – Técnicos de 1ª intervenção nos cuidados de saúde pré-hospitalar, forças policiais incluindo prisionais, pessoal afeto à investigação criminal, membros de equipas de operações especiais e descontaminação.

2 – Tripulações de ambulâncias e técnicos de emergência médica.

As formas mais preocupantes da sua potencial exposição são: inalação, contacto com as membranas mucosas, ingestão e aderências à pele.

Principais recomendações contra exposição ao Fentanilo

A exposição ao Fentanilo resulta potencialmente numa grande variedade de sintomas incluindo o início rápido da depressão respiratória, que pode ameaçar a vida. A granulometria das partículas dos opioides sintéticos na forma de pós está tipicamente compreendida entre 0,2 a 0,2 µm, sendo facilmente aerossolizados.

O Fentanilo caracteriza-se por ter uma taxa de absorção através das membranas mucosas 30 vezes maior que a que se processa por contacto com a pele, ou por via da ingestão, devido ao toque com o nariz ou boca.

A CDC e a NIOSH definiram diretivas relativas aos EPIs a usar por todos aqueles com risco acrescido de exposição ao Fentanilo ilícito.

As recomendações contidas nas diretivas apontam para o uso de respiradores (o nível mais elevado de proteção possível P100=P3), proteção da face, proteção da vista, proteção das mãos e proteção dos braços, equipamentos que devem ser sempre usados quando se suspeita da eventual presença do Fentanilo.

A inalação do Fentanilo ilícito em pó é a forma mais comum de exposição.

Para níveis de exposição moderados recomenda-se o uso de máscaras descartáveis (P100). Para níveis elevados de exposição o mais indicado são as máscaras respiratórias elastoméricas, ou respiradores Motorizados de Pressão Positiva.

Para as categorias de alto risco que incluem as equipas de investigação criminal e grupos de operações especiais e descontaminação nem o CDC, OSHA ou ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists) estabeleceram os limites para exposição ocupacional ao Fentanil ou análogos.

Definem, todavia, que todos os indivíduos potencialmente expostos ao Fentanilo ou seus análogos em níveis elevados, na forma de pó ou aerossolizados, devem ser treinados no uso e disporem de Respiradores Purificadores do Ar para gases e partículas e Respiradores Motorizados Purificadores do Ar Pressão Positiva para gases e partículas.

Deve ser tida especial atenção que as máscaras cirúrgicas, ou aquelas habitualmente usadas para proteção contra poeiras, não são adequadas para esta finalidade, pois apenas impedem que secreções e/ou aerossóis sejam aerotransportados. Podem eventualmente ser usadas sobre os respiradores purificadores do ar, mesmo que descartáveis, para os manter limpos em situações de emergência.

E ainda também que a eficácia destes equipamentos, no que à proteção diz respeito, baseia-se sempre na sua completa selagem à cara, o que obriga a conduzir testes periódicos de ajustamento para eleição do tamanho de máscara mais adequada a cada individuo, dependente do tamanho e formato da cara.

Em situações de uso prolongado da proteção respiratória, dada a resistência que os sistemas de pressão negativa para purificação do ar introduzem na inalação, a qual provoca cansaço nos utilizadores e, quando na forma de semi-máscaras descartáveis sem válvula de exalação, também a acumulação de calor, humidade e CO2, o uso de Respiradores Motorizados de Pressão Positiva é a solução ideal, porque não desencoraja o uso, situação em que os utilizadores ficam expostos a todos os malefícios.

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