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Estudo avalia impacto da exposição a poluentes em 250 bombeiros

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Investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) vão identificar, analisar e monitorizar o impacto da exposição a poluentes emitidos pelos fogos florestais na saúde de 250 bombeiros de diversas corporações do nordeste transmontano.

Em comunicado, o instituto do Porto explica que o projeto, intitulado BioFirEx e liderado por investigadores do REQUIMTE-LAV do ISEP, pretende estudar “os efeitos para a saúde destes profissionais da exposição ocupacional prolongada e continuada a poluentes emitidos pelos fogos florestais”.

Na investigação estão envolvidos cerca de 250 bombeiros de diversas corporações do nordeste transmontano que vão ser sujeitos a uma avaliação periódica, nomeadamente de recolha de amostres de sangue, urina e células bucais, bem como limpeza da pele das principais zonas de contacto.

O combate de incêndios exige preparação física e emocional e envolve lidar com situações extremas, porém, os bombeiros e outros operacionais envolvidos encontram-se entre os grupos menos estudados no que respeita à exposição e à sua relação com doenças ocupacionais. Assim, o projeto BioFirEx (PCIF/SSO/0017/2018) tem como objetivos:

– Usar uma abordagem multidisciplinar para realizar uma avaliação abrangente da exposição ocupacional (via monitorização e biomonitorização) dos bombeiros a poluentes gerados durante incêndios florestais

– Avaliar os impactos na saúde e na segurança

– Identificar um conjunto de (bio)marcadores apropriados para a vigilância da exposição ocupacional, da saúde e da segurança dos bombeiros, assim como estabelecer uma lista de recomendações e de boas práticas

Este projeto dá continuidade a um estudo anterior desta equipa de investigação e será realizado no período 2020-2022. Este projeto (PCIF/SSO/0017/2018) é suportado pelo orçamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia na sua componente OE e mereceu um parecer favorável da Comissão de Ética da Universidade do Porto.

A importância da exposição a poluentes

Além de quererem perceber “mais e melhor” o impacto da exposição a diversos poluentes atmosféricos durante o combate a incêndios florestais na saúde dos bombeiros, o intuito do projeto é caracterizar “os riscos associados à inalação continuada de fumos”.

“E, numa fase posterior, introduzir medidas que possam mitigar estes efeitos nocivos para a saúde destes profissionais”, acrescenta o ISEP, lembrando que os bombeiros se encontram no “grupo menos estudado no que respeita à exposição e relação com doenças ocupacionais. A dificuldade inerente à recolha de dados de exposição ocupacional durante as atividades de combate aos fogos muito contribui para esta lacuna”, salienta o instituto.

Citada no comunicado, Simone Morais, investigadora do ISEP, afirma que em Portugal “não existe informação significativa sobre os efeitos desta exposição”.

“Sabemos apenas, por alguns estudos maioritariamente dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, que a exposição dos bombeiros por inalação aos poluentes gerados durante os fogos florestais é potencialmente carcinogénica. É importante determinar, com rigor, quais os efeitos para a saúde destes profissionais”, sublinha.

Iniciado em janeiro de 2020, o projeto prevê a criação de um painel de biomarcadores para a vigilância da saúde e da segurança do bombeiro.

Numa primeira fase, será usada uma abordagem multidisciplinar para realizar uma avaliação abrangente da exposição ocupacional durante os incêndios florestais e, posteriormente, serão avaliados os impactos na saúde e na segurança, bem como identificados os biomarcadores apropriados.

Além do ISEP, o projeto conta com a colaboração da Associação Nacional de Proteção Civil, a Unidade Local de Saúde Pública do Nordeste, do Ministério da Saúde, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

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