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Estudo associa consumo de álcool a milhões de dias de trabalho perdidos

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Sabia que nos EUA os empregados com distúrbios graves do uso de álcool perdem mais do dobro dos dias de trabalho devido a doença, lesão ou simplesmente por faltarem ao trabalho? Quem o diz claramente são os investigadores da Universidade de Washington, integrados na St. Louis School of Medicine, nos Estados Unidos da América.

Como chegaram a estas conclusões? Os investigadores reviram os dados de 2015-2019 do Inquérito Nacional sobre Consumo de Drogas e Saúde, que inclui respostas de mais de 110.000 adultos norte-americanos com empregos a tempo inteiro.

Eles estimam que 9% deste grupo cumpre os critérios para o transtorno do uso de álcool, que corresponde a “uma condição médica caracterizada por uma capacidade reduzida de parar ou controlar o uso de álcool apesar das consequências adversas na vida social, na vida profissional ou na saúde”. Com base nessa percentagem, a estimativa traduz-se em cerca de 11 milhões de trabalhadores dos EUA.

Os inquiridos com transtorno grave do uso de álcool declararam faltar uma média de 32 dias de trabalho por ano, mais do dobro do número de faltas realizadas por pessoas sem essa mesma condição. Para toda a força de trabalho dos EUA isto representa cerca de 232 milhões de dias de trabalho em falta por ano!

“O distúrbio do uso do álcool é um grande problema nos Estados Unidos e um grande problema em muitos locais de trabalho, onde contribui para um número significativo de dias de trabalho perdidos”, disse a autora de estudo Laura J. Bierut, professora de psiquiatria na universidade, num comunicado de imprensa.

“O problema provavelmente agravou-se durante a pandemia, e precisamos de tentar fazer mais para garantir que as pessoas possam obter a ajuda de que necessitam para lidar com a desordem relacionada com o consumo de álcool”, concluiu a especialista.

O estudo foi publicado na JAMA Network Open e está disponível para consulta pública.

 

 

Como o consumo de álcool afeta os trabalhadores em Portugal?

Cada português consome anualmente 12 litros de álcool, o que corresponde a uma média acima dos níveis médios da OCDE, onde o consumo médio ronda os 10 litros anuais de álcool por pessoa.

De acordo com o estudo Prevenir a Utilização Nociva do Álcool, a média de Portugal considera pessoas com 15 ou mais anos e os 12 litros de álcool consumidos são o equivalente a duas garrafas e meia de vinho ou 4,6 litros de cerveja por semana.

De acordo com a análise feita em 52 países, “os homens consomem 19,4 litros de puro álcool ´per capita` por ano, enquanto as mulheres consomem 5,6 litros”. Entre os países da OCDE, o consumo médio é de 10 litros anuais de álcool por pessoa.

Segundo este estudo, o consumo excessivo de álcool vai ter impacto na saúde e na esperança média de vida. Nos próximos 30 anos, estima-se que os portugueses vão ver a esperança média de vida reduzida em um ano, “devido a doenças e lesões provocadas pelo consumo diário” de mais de uma bebida por dia, no caso das mulheres, e mais de uma bebida e meia por dia, no caso dos homens, alertou o mesmo relatório.

O número está em linha com a média da União Europeia, ligeiramente inferior, mas tem um impacto maior quando comparado com a média dos países da OCDE. Já a Alemanha apresenta um registo mais preocupante.

De acordo com o mesmo estudo, com base nos atuais padrões de consumo em Portugal, a OCDE prevê que as doenças e lesões causadas pelo consumo excessivo de álcool originem um aumento de 2,3% nas despesas com a saúde e uma redução da produtividade no trabalho.

“Consequentemente, o Produto Interno Bruto de Portugal estimado é, em média, 1,9% mais baixo até 2050, excluindo qualquer impacto sobre a indústria do álcool”, refere o relatório da OCDE.

O estudo indica que em Portugal “26,6% dos adultos embriagam-se pelo menos uma vez por mês”, o correspondente à ingestão de mais do que 80% de uma garrafa de vinho ou 1,5 litros de cerveja numa única ocasião.

A mesma análise sublinha que “13% das raparigas e 14% dos rapazes com 15 anos de idade” já estiveram embriagados pelo menos duas vezes na sua vida, ao mesmo tempo que é acentuado que crianças que nunca experimentaram um estado de embriaguez têm 26% maior probabilidade de ter um bom desempenho escolar.

É ainda referido que as mulheres com ensino superior são em 80% dos casos mais propensas a um consumo imoderado de álcool uma vez por mês.

O estudo da OCDE considera existir um bom desempenho em Portugal em algumas áreas para reduzir os efeitos nocivos do consumo de álcool, mas sugere o reforço de algumas dessas medidas para combater o consumo imoderado.

Em Portugal, o preço das bebidas alcoólicas é considerado baixo, pelo que é recomendada a fixação de preços mínimos. O documento defende também um maior controlo da condução sob o efeito de álcool, para prevenir acidentes de viação e ferimentos. A proibição total da publicidade ao álcool para crianças através dos novos e tradicionais meios de comunicação, assim como em expositores de ponto de venda, é também aconselhada.

Formar quem serve as bebidas sobre como prevenir, identificar e ajudar consumidores alcoolizados, como acontece na Alemanha e em Espanha, é outra das medidas sugeridas.

Segundo o estudo Prevenir a Utilização Nociva do Álcool, Portugal deve investir 1,6 euros por cidadão num conjunto de medidas para combater o uso excessivo de álcool, para dessa forma prevenir até 2050 “542 mil doenças e lesões”, “poupar 45 milhões de euros por ano em custos de saúde” e “aumentar o emprego e a produtividade o equivalente a 6 mil trabalhadores a tempo inteiro por ano”.

“Por cada euro investido neste pacote de medidas, 16 euros serão devolvidos em benefícios, sem considerar qualquer impacto sobre a indústria do álcool”, frisa o relatório.

 

 

Como monitorizar o consumo de álcool no trabalho?

Vale a pena mencionar que tanto a nível laboral, como a título pessoal, existem sistemas de controlo do álcool, como o Alcoolímetro Despistagem DriveSafe, Alcoolímetro Alcolock V3 ou o Alcoolímetro Passivo Despistagem Alcoscan.

As bebidas alcoólicas para além de afetarem as capacidades cognitivas e motoras, consubstanciada pela degradação das reações do indivíduo, contribuem também para a desinibição nos comportamentos, pois o álcool atua sobre o sistema nervoso central.

Tais comportamentos tornam-se mais evidentes em situações críticas, prejudicando a condução e dando lugar a comportamentos sociais desajustados, os quais podem comprometer a ordem pública ou o respeito para com terceiros e potenciar os acidentes laborais.

Conduzir máquinas, independentemente da sua natureza ou dimensão, viaturas de transporte, sobretudo as consignadas aos transportes coletivos, ou mesmo embarcações, sob o efeito do álcool, é uma prática extremamente perigosa, para os condutores e terceiros, bem como para as entidades proprietárias.

As Seguradoras não cobrem acidentes sempre que se comprove a etilização do condutor, podendo daqui resultar prejuízos de valor incalculável para as partes envolvidas dada a impossibilidade, por deficiência económica, de ser exercido o direito de regresso sobre o condutor, para além de tal prática se enquadrar, a partir de determinadas taxas de alcoolemia no foro criminal.

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